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sexta-feira, 15 de março de 2013

VERDADE

Arquivo da Internet

Quando me abraçar,
ou me der qualquer carinho,
não crie personagem,
ou siga a regra do trato social.

Quando me olhar,
olhe-me com olhos de verdade,
não precisa ter vergonha,
ou pôr na face uma cor vermelha.

Quando vir até mim não crie distância,
não hesite, não olhe para os lados,
pouco me importo o que pensam,
muito de como agem é falta de amor.

Abrace-me e sinta o meu abraço,
sinta o que eu sou de verdade:
meus olhos são cor de paixão
e minha pele cor de vontade...

Paris, 15 de março de 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

DESCONEXO

Arquivo da Internet - Pode ter direitos autorais

Sempre fui certo de incertezas.
Tenho nas minhas veias mais que sangue
e na alma mais que dois motivos:
morte e vida. Sou mais que humano...

Eu não preciso beber do que me oferecem,
mas nem por isso deixo de beber. E sei:
o homem é mais que um cálice de vinho,
talvez ele seja duas garrafas, ou três...

Sempre me falaram dos bons poemas,
que deviam ser escritos em terceira pessoa,
eu teimo em os escrever em primeira
e, talvez, nunca sejam bons o suficiente,

É porque eu nunca vivi em terceira pessoa.
Nunca quis os rios de risos de outro poeta
e os versos fantásticos de outros amores.
Quero ser sentinela do que eu sinto...

Sempre fui de escrever o nosso riso,
o nosso amor e a minha solidão...
Sempre fui de fazer versos de saudade
e cantar verdades que trago no coração.

Já fiz e senti de tudo no meu mundo:
senti pena de mim mesmo,
já me senti sujo e imundo
e já fui rei feliz de outros reinos...

E a cada verso, cada poema;
cada problema e teorema de vida,
sinto que sou mais que humano
e menos que sagrado. O que sou?

...Talvez eu seja o resto de alguns versos,
ou talvez mais alguns que hei de compor,
quem sabe sou uma poesia desconexa:
que fala de sangue e de alma...

quarta-feira, 13 de março de 2013

ESCRITORES – Florbela Espanca

Arquivo da Internet
Venho trazer até vocês a série “Escritores”. Quero apresentar alguns daqueles que gosto de ler. Trarei notas simples e um resumo breve do indicado, mas tentarei fazer com frequência. Tenho certeza que alguns deles já conhecidos e amados por vocês, outros novos e igualmente fascinantes. As indicações não seguem nenhuma ordem de preferência. Também não escolherei classes, estarão entre os nomes descritos: poetas, filósofos, contistas, cronistas e toda sorte de escritores, porque o acredito mesmo é que cada escritor, em sua maior expressão de fazer arte em forma de literatura, é de tudo um pouco, sem limitações, sem denotações, pois assim é o mundo de quem cria e escreve.

Antes de começar as indicações dessa nova série “Escritores”, queria dizer que vou tentar sintetizar o que e como o indicado escreve e nada passa de sugestões, porque antes de qualquer coisa um leitor deve saber do que gosta, para onde quer caminhar, pois as obras literárias, ou não, nada mais são que grandes passeios em mundos que merecem ser desbravados. E os mundos são grandes e vastos, diferentes em todas suas complexidades, alguns passeios serão agradáveis, outros não, mas você é o responsável pelas escolhas. Tudo depende de momentos, da forma como você compreende a obra e o seu autor e, o mais importante, como você se percebe nesse conjunto de ideias e sensações, que nada mais é que a descrição da sua própria invenção.

Arquivo da Internet
Começo a série com Florbela Espanca. Poetisa portuguesa, morreu muito cedo, com apenas 36 anos, mas dona de uma obra rica e cheia sentimento. Escreveu com traços fortes e marcantes da feminilidade, tem sua poesia desenhada por um característico erotismo e austeridade. Soube transformar dores e tristezas em poesia de força e liberdade. Conhecida por uma vasta produção de sonetos, tem alguns desses transformados em música, como é o caso de “fanatismo”, no Brasil, linda música cantada por Raimundo Fagner.

FANATISMO

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”



terça-feira, 12 de março de 2013

ANTEPOSTO


Foto: Paulo Poeta - Exposição de Artes / San Francisco - CA - 2012
Não me peça para te olhar como antes,
aprendi a arte de reinventar-se.
Não me busque na mesmice
que o passado enterra:
entre papeis amarelados,
cartões encaixotados
e fotografias que já não se movem.
Não me peça para volver o olhar
e viver um passado que prefiro apagar.
Não desgaste minhas novas ilusões
e rasgue a esperança
que tenho de escrever um novo livro. 

MEU MUITO OBRIGADO!

Arquivos da Internet
Queria agradecer aos mais de dois mil acessos em pouco mais de dois meses. Esse espaço, que criei com ajuda do amigo e jornalista Dado Dardinheles, tem o objetivo único de partilhar minhas ideias, minha poesia e impressões sobre coisas que vivo e lugares e pessoas que conheço. Feliz por está sendo bem visitado por todos vocês que escrevem e vivem comigo minha história. Desejo que minhas ideias e sensações possam de algum modo acrescentar algo à vida e ao dia de cada um que visita este espaço. Meu muito obrigado!

quarta-feira, 6 de março de 2013

PRA QUE SERVE O AMOR?


Antes de ontem (dia 04 de março) eu postei aqui um artigo sobre Edith Piaf, sugerindo uma de suas músicas que gosto muito, À quoi ça sert l’amour. Por uma incrível que pareça, coincidência ou não, sem procurar nada sobre Piaf ou sobre essa música, estava a procurar curtas franceses para me familiarizar com a língua, encontro o curta que compartilho com vocês. Uma animação  muito charmosa, atraente e divertida, agrada todos os gostos. Pra que serve o amor? Encontre respostas...


À ESPERA DE UM MILAGRE


Arquivo da Internet
Quero deixar hoje a dica de um filme já um pouco antigo, mas muito emocionante e que, com certeza, vale muito a pena assistir. Quem já assistiu há algum tempo, pois o filme foi lançado em 1999, assista de novo – sempre é bom ver o mesmo com olhos diferentes, mais de dez anos depois, pode ter certeza que essa emocionante história não será mais a mesma. Com um elenco sensacional, Tom Hanks é a estrela principal, fazendo o papel de Paul Edgecomb e Michael Clarke Duncan, como coadjuvante interpreta John Coffey.

O filme narra a história de Paul Edgecomb, um agente penitenciário, responsável pelo Bloco A (o corredor da morte), numa penitenciária no estado da Louisiana nos anos 30 e é baseado na obra do célebre escritor norte-americano Stephen King. Paul Edgecomb passa por várias provas que o põe num conflito moral que viria o atormentar pelo resto de sua vida. A história é contada por ele em flashback, quando já está velho num asilo e relembra com uma amiga tudo que viveu à época. Sua vida nunca mais seria a mesma depois de conhecer John Coffey e, talvez, a de muitos que assistam esse filme.

John Coffey, interpretado por Michael Clarke Duncan é um negro de formas avantajadas e que por isso já impõe medo e desconfiança. Foi acusado de matar duas crianças brancas e por isso condenado a morte. Contudo, como as aparências enganam, muita emoção, diversão e reflexão há de acontecer durante essas quase três de horas de sessão e vocês poderão conhecer o verdadeiro John Coffey. 

Como toda boa história, sempre ficam grandes lições. Para mim, as mais importantes foram: cuidado em julgar pelo que se ver e a mais difícil, tentar compreender e aceitar quando em determinados casos somos obrigados a fazer algo que vai contra tudo aquilo que julgamos ser o correto e verdadeiro. Prepare o coração e uma boa porção de pipocas! 

O vídeo a seguir é um resumo e crítica sobre essa envolvente história que foi indicada a quatro Oscar's: